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Libera
Nº 01
INFORMATIVO
Com
esta publicação, o Círculo de Estudos Libertários
(CEL), vem cumprir com sua razão de ser, isto é, um Centro
de Estudos e Reflexão do Pensamento e Ação Libertárias.
O CEL objetiva criar um espaço onde se possa saber e discutir
a história das lutas sociais e, através da troca de idéias
e pesquisas, aglutinar elementos que estejam fatigados, tanta da ditadura
burocrática do marxismo-leninista como da corrupção
e incompetência do Estado e parlamento capitalista.
O monstruoso crescimento da miséria social, o descrédito
da população em seus governantes e a indiscutível
falência desses projetos político, criam um imenso abismo
nos Movimentos Sociais. Portanto, aumentam as possibilidade das idéias
libertárias e a prática pela AÇÃO DIRETA
serem um realidade.
Se cremos no que afirmou Malatesta ao dizer: "Nosso dever é
o de incitar o povo a reclamar e apoderar-se de todas as liberdades
possíveis, bem como de prover, pelas suas próprias custas,
suas necessidades, sem esperar ordens de qualquer autoridade",
então, nos cabe consolidar o Círculo de Estudos Libertários
e ai repensar o Anarquismo hoje.
Educar o povo e propagar a confiança que o Anarquismo deposita
no homem e em sua capacidade de construir a sociedade justa, livre e
igualitária que acreditamos, é fortalecer e aumentar os
meios de que dispomos. E o Círculo de Estudos Libertários
é um dos instrumentos.
LIBERA
... AMORE MIO.
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ERRICO
MALATESTA
É
Anarquista, por definição, aquele que não quer
ser nem oprimido nem opressor, aquele quer o máximo de bem-estar,
o máximo de liberdade, o maior desenvolvimento possível
para todos os seres humanos. Suas idéias e sua vontade têm
sua origem no sentimento de simpatia, de amor e de respeito por todos
os humanos: sentimento que deve ser bastante forte para levá-lo
a desejar o bem dos outros tanto quanto o seu próprio e a renunciar
a toda vantagem pessoal cuja aquisição implicaria o sacrifício
de outrem. Senão, por que não ser inimigo da opressão
e não tentar tornar a si próprio um opressor?
O anarquista sabe que o indivíduo não pode viver fora
da sociedade e que ele só existe enquanto indivíduo por
que traz consigo a soma total do trabalho de incontáveis gerações
passadas e se beneficia, ao longo de sua vida, com a colaboração
de seus contemporâneos.
Ele sabe que a atividade de cada um tem uma influência, direta
ou indireta, na vida de todos e, por isso mesmo, reconhece a grande
lei da solidariedade que prevalece na sociedade humana assim como na
natureza. E como deseja a liberdade para todos, é preciso que
deseje também que a ação desta solidariedade essencial
não seja imposta e sofrida inconsciente e involuntariamente,
nem deixada ao acaso e explorada em benefício de alguns em detrimento
da maioria, mas que, ao contrário, ela se torne consciente e
voluntária e se faça, por isso mesmo, em benefício
de todos igualmente.
Ser oprimido, ser opressor ou cooperar voluntariamente para o maior
bem de todos; não há outra alternativa possível,
e os anarquistas são voltados naturalmente - não podem
deixar de sê-lo - para a cooperação deliberada e
livre.
Que não venham "filosofar" e nos falar de egoísmo,
de altruísmo e de outros quebra-cabeças. Estamos de acordo:
somos todos egoístas, todos procuramos nossa própria satisfação.
Contudo, é anarquista aquele cuja maior satisfação
é lutar para o bem de todos, para a construção
de uma sociedade onde, irmão entre seus irmãos, ele possa
viver entre homens sãos, inteligentes, cultos e felizes. Em contrapartida,
aquele que pode adapta-se e viver contente entre escravos, e tirar proveito
do trabalho dos escravos, este não é e não pode
ser anarquista.
(Pensiero
e Volontà, 15 de junho de 1913)
Quanto
a nós, não temos a pretensão de deter a verdade
absoluta: acreditamos, ao contrário, que a verdade social, isto
é, a melhor forma de vida social, não é algo fixo
nem válido em todos os tempos e em todos os lugares; também
não é algo que possa ser determinado antecipadamente;
é, ao contrário, algo que se realizará pouco a
pouco, com a menor ocorrência de atritos possível. É
por esta razão que as nossas soluções deixam sempre
a porta aberta para diferentes soluções, diferentes e,
se possível, melhores.
(Umanità
Nova, 16 de setembro de 1921)
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