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Libera
Nº 05
AUTOGESTÃO
Autogestão
é, por princípio, a comunidade cuidando, diretamente,
de seus próprios deveres e interesses. Para que ela aconteça
terá de haver ampla liberdade de organização, sem
leis cerceantes ou hierarquias. Por este simples fato, os parlamentos
e os legisladores, tornam-se desnecessários. Ora, se as pessoas
tomam para si as responsabilidades de gerenciamento de suas vidas, os
representantes profissionais e demais poderes são completamente
inúteis. Note-se como os partidários da representação
apostam sempre na alienação das pessoas. O jogo eleitoral
é baseado nas reformas parciais, apoiado em massacrantes chantagens
emocionais. Fazem as pessoas acreditarem que são inúteis
e incompetentes para administrar suas vidas. Daí a necessidade
de gente gabaritada para governar esta imensa população,
totalmente heterogênea, mas que não é considerada
desta forma e, sim, como simples massa de manobra.
Não somos contra as melhorias parciais, porém temos certeza
de que reforma parcial é... reforma parcial! Elas somente viciam
o cidadão, pois acreditando estar evoluindo, caminham sempre
atrás de uma pequena esmola, um reajuste salarial, um empreguinho
mixuruca. E a evolução, o caminhar para frente? Bem, isto
dá um pouco mais de trabalho. Afinal ser responsável por
si e pelos outros requer imaginação, ousadia, coragem
e um forte sentimento de solidariedade. E sem a revolução
cotidiana e individual, não se faz revolução nenhuma.
Autogestão significa divisão igualitária de trabalho,
oportunidades iguais, respeito às diferenças individuais,
organização descentralizada e horizontal, trabalho cooperativo,
produção socialmente necessária e Ação
Direta nas decisões.
O grande argumento da iniciativa privada contra a estatização,
é a ausência de dinamismo e eficiência dos funcionários
públicos. Certa experiência de co-gestão, de um
empresário que está na moda, Ricardo Semler, provou que,
quando os trabalhadores participam dos lucros e opinam, quanto a organização,
os resultados são melhores e positivos. Bem, mas isso é
uma das facetas do capitalismo: a utilização do empregado
que vista a camisa da empresa para que o mesmo produza mais lucro. Para
o patrão, é claro.
Outro aspecto da organização capitalista, é a necessidade
de pessoas incumbidas de dar ordens e administrar. Tais elementos também
são explorados, porém são agentes do sistema e
trabalham para mantê-lo funcionando, de acordo com normas rígidas,
embriagados pela sensação de poder e autoridade. Começa
aí um ciclo de desajustes, em função da necessidade
de auto-adulação do chefe.
Esta é uma das conseqüências do individualismo, que
se disseminou, a partir do vencer na vida a qualquer preço. Significa
dar ordens a algum subordinado e dormir tranqüilo pelo dever cumprido.
Defendemos a anulação do voto e a abstenção
eleitoral, porque não aceitamos a delegação de
poderes a terceiros.
Defendemos o fim do Estado e seus órgãos de dominação
(Polícias, Forças Armadas, Judiciários e Legislativos).
Note-se que diferimos muitíssimo dos liberais, que aceitam a
idéia de um Estado mínimo. Nós, anarquistas, não
queremos Estado nenhum.
Quanto aos socialistas autoritários, o anarquista italiano Errico
Malatesta afirmou: a tática eleitoral e parlamentar acabou com
o espírito revolucionário das massas e conduziu à
abdicação do socialismo. E complementava com uma alusão
aos anseios dos socialistas de conquistarem o poder através de
eleições: Se algum dia fossem maioria parlamentar seriam
expulsos aos pontapés no traseiro e que lhes seria necessário
se submeter ou recorrer à insurreição, com a diferença
de que o povo teria se tornado menos apto à insurreição
devido à propaganda eleitoralista. Acreditam que a burguesia
desarmaria seus fascistas, os mandaria para casa; deixaria a polícia
e os magistrados servirem fielmente aos governantes socialistas? Quanto
menos organizado estiver o povo, tanto mais estará dependente
da ação de indivíduo investido de chefe.
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"XOU
DE ALIENAXÃO"
Quem
se lembra do carismático Garibaldo do "Vila Sésamo"?
Do "Sítio do Pica-pau Amarelo", de Monteiro Lobato?
Ou, dos já não mais reprisados desenhos do Walt Disney?
Esses eram os atrativos para as crianças que viam TV a uns anos
atrás. Atrativos que possuíam um conteúdo humano.
hoje, os modelos da criançada são doutrinantes e autoritários.
Os desenhos animados mostram-se acriativos e repetitivos; armas, guerras
e violência em demasia. Os desenhos mais meigos, são todos
bonequinhos inexpressivos que só se diferenciam nos nomes, e
não mais conquistam os pequenos.
Olhando Xuxa e comprando sua parafernália consumista (shampoos,
roupas, discos, brinquedos etc) as crianças tornam-se presa fácil
de uma forte e aparelhada produção visual e psicológica.
Afirma-se um estereótipo ideal de mulher: loira, olhos azuis,
corpo sensual (também para agradar quem realmente possui o dinheiro,
os pais. E garantir a audiência dos adolescentes mais "influenciáveis").
Meninas uniformizadas, igualmente loiras e gostosas dão assessoria
na apresentação, são as paquitas; que tem o promissor
futuro de ingressar num medíocre grupeco musical, estilo dominó
invertido. Depois, com sorte, posar para a Playboy.
O programa nada tem de novo. Jogos idiotas, gente fantasiada, e crianças
que agem não por si, mas como gostam os adultos e o apresentador.
Xuxa tem a posse do horário, primeiro conquistado, depois, comprado
da emissora. Aquele espaço é dela, para massificar da
forma como quiser. Vender desde seu belo corpo, à chicletes de
bola, ou até quem sabe, absorventes da Xuxa (podem chamar-se
"Xexeca") pras baixinhas em fase pré-menstrual. Já
que ela não poupa mesmo mercado nenhum. Alimentando mais e mais,
o consumismo desenfreado.
Xuxa ainda poderia ser acusada de racismo. Porque prega valores estéticos
discriminatórios, irreais para a maioria dos telespectadores
brasileiros. O modelo é o belo, recursos visuais e valores éticos
de acordo com a lavagem cerebral.
E não adianta dar uma de ecóloga, a la Sting. Exibindo
um Mini-zôo caseiro, porque precisamos é de mais creches
e animais no seu devido habitat. Se ela ama tanto as crianças,
por que não adota algumas? Ainda há o preconceito social
de saber que só as mãezinhas mais ricas podem comprar
seu estoque de superfluosidades para as suas mimosas e débeis
xuxetes. As demais, da classe média e baixa (a maioria que falamos
antes), ficam no sonho inútil de ganhar "X" produto.
O xou da alienaxão ainda desperta nas crianças um erotismo
precoce, onde elas querem ser mais bonitas que outras, melhor vestidas
e postadas. A espontaneidade e irreverência da pequena idade,
substituída pelo comportamento padrão televisivo. A imaginação,
trocada pela repetição de ladainhas alienativas e frasetas
clichês tipo beijinho, beijinho, tchau! tchau! geração
criativa...
Autor:
Sylvio Ayala
JORNAL O BOBO DA CORTE
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