Libera Nº 105

Chegamos e vamos incomodar,
ou melhor... informar.

Aqueles que não gostarem...Era uma vez uma emissora de TV, um jornal e todo um império chamado Globo. Este império era governado por um tirano chamado Roberto Marinho. Depois de anos e anos promovendo através de suas novelas e estapafúrdios programas a dominação e a alienação de 99,9% dos brasileiros (mas não se esqueçam que seu império também está articulado com outros impérios pela América Latina), de ignorar os acontecimentos oriundos das vozes populares, de eleger e reeleger gente de sua laia, agora terá mais uma pedra em seu sapato, esta pedra se chama Centro de Mídia Independente. Não pensem que o império Globo é o nosso único inimigo, todos aqueles, sejam impérios ou imperadores, lacaios ou bobos-da-corte, no Brasil e no mundo, que utilizam os meios de comunicação para exercer seu triunfo explorador sobre a humanidade e o meio ambiente, serão nossos alvos, alvos estes que não hesitaremos em atingir, que não teremos vergonha em desmascarar e, sobretudo, teremos orgulho em nos opor e combater.

O Centro de Mídia Independente (CMI) é um coletivo autônomo que pretende trazer a público informação crítica e de qualidade, acreditando assim poder contribuir para a construção de uma sociedade livre e igualitária, onde exista respeito ao ser humano e ao meio ambiente como um todo. Em meio a tanta manipulação, o CMI crê que seu trabalho faz-se indispensável. “Queremos as verdades, e elas não serão difíceis de serem descobertas!”.

Nosso objetivo é difundir exatamente tudo aquilo que a imprensa oficial insiste em distorcer, sensacionalizar e até mesmo omitir devido ao seu comprometimento com o poder vigente. Queremos estimular o exercício da participação universal, pronunciando seus direitos e reivindicando-os de forma legítima. Focalizaremos prioritariamente os movimentos sociais de todo o mundo, principalmente os de ação direta e, compreendemos como tal a prática da autonomia, da auto-organização, da horizontalidade nos mecanismos de decisão coletiva e a desvinculação de seus interesses dos interesses das elites dominantes e partidos políticos.

Iniciamos nossos trabalhos a partir de agosto de 1999, em função dos protestos realizados na cidade de Seattle no estado da Califórnia (EUA) contra a Organização Mundial do Comércio - OMC, que se reunira em novembro do mesmo ano para definir os rumos mercantis internacionais. Crescemos desde então e hoje somos uma rede com mais de cinqüenta núcleos espalhados pelo mundo. No Brasil, desde janeiro deste ano, estamos trabalhando e já contamos com um coletivo de difusão em São Paulo e no Rio de Janeiro, bem como companheiros em Belo Horizonte, Porto Alegre e Brasília que estão empregando seus esforços na viabilização deste trabalho. Fizemos nossa primeira atividade juntos no dia 20 de abril na manifestação contra a Área de Livre Comércio das Américas, registramos o ato e estamos produzindo um documentário a respeito do que se trata este acordo, o que ocorreu durante esta manifestação e qual a piada contada pela imprensa oficial sobre isto tudo.

Possuímos uma página na internet (www.midiaindependente.org) e pretendemos difundir informações também através de outros veículos de propaganda, como rádio, jornal e TV, pois sabemos que quanto maior forem os meios utilizados, maiores serão os objetivos alcançados. Em nossa página de internet, já é possível que qualquer pessoa possa publicar instantaneamente qualquer tipo de informação e em qualquer formato ou linguagem, seja som, foto, texto ou vídeos, feito em primeira ou terceira pessoa, estilo romântico ou narrativo, a respeito de um acontecimento, pensamento ou sentimento, enfim... Para nós, todo leitor é um jornalista ou escritor, espectador ou ator, ouvinte ou narrador.

Gostaríamos que aqueles que estão inconformados com a realidade que vivemos, aqueles que não suportam mais a intragável mentira das elites, os que vêem possibilidades de lutarmos contra estas barbáries, bem como aqueles que estão pulando de seus assentos, coçando suas cabeças e tendo seus sonos conturbados pela curiosidade despertada, entrem em contato, mantenham-se informados e procurem saber como também podem fazer parte desta rede. Todas as colaborações serão bem vindas, o CMI nada mais é do que a união e coordenação de todas elas. Sintam-se à vontade para contatar-nos.

Só unidos e informados destruiremos este sistema !!!

Coletivo de Difusão do Rio de Janeiro
rio@midiaindependente.org, Caixa Postal: 4071,
CEP.: 20001-970, RJ/RJ, Tel.: (0xx21) 231-2897.

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ANARQUIA E LUTA DE CLASSES

Em meados da década de 80 publicações anarquistas retomam com algum vigor certas vertentes do pensamento libertário. Estas publicações retomavam algumas concepções do pensamento do “anarquismo clássico”, porém o que se viu, foi um crescente distanciamento do mesmo, sendo que boa parte das publicações, ainda da década de 80, e mais freqüentemente a partir da década de 90, retomavam o pensamento do “anarquismo cultural”, influenciadas pelo “espírito de 1968”, o preponderante nas últimas décadas.

Chegamos hoje a um quadro de publicações onde o anarquismo combativo é relegado ao segundo plano, agora, ao contrário de antes, de forma explícita, enquanto as publicações educacionistas, culturalistas e afins ganham fôlego e sobrevivem no mercado editorial.

As poucas obras do anarquismo combativo que encontramos hoje, só existem devido ao mercado aberto por obras de outra espécie, ou então devido ao esforço individual de raros e valorosos editores. Não há preocupação em que estas obras sirvam de base para discussões, de exemplo para uma prática de transformação social e, muito menos, de base para a elaboração de projetos políticos baseados na experiência histórica e no conhecimento social. E trata-se de uma necessidade imensa no Brasil, já que existe um período histórico grande onde o anarquismo não possui peso político e prática social de grande relevância.

Nosso objetivo é antes de tudo levar ao conhecimento do público as obras do que consideramos o “anarquismo combativo”, ou seja, o anarquismo político, atuante nas lutas de nossa classe social e revolucionário. Algumas obras de autores que consideramos importantes dentro desta espécie de anarquismo já foram publicadas no país, mas cremos que os textos mais importantes destes autores não foram lançados por aqui ainda, ou quando muito, estão dispersos, fragmentados, em vários livros e, até mesmo, em várias publicações menores como jornais, cadernos, etc.

Além disso, procuraremos tecer algumas críticas que julgamos pertinentes às obras ou aos acontecimentos históricos aos quais as mesmas fizerem referência, demonstrando nossas posições sobre as falhas e acertos do anarquismo no passado. Não se tratam de críticas anacrônicas, são apenas críticas que devem ser feitas e que não podem ser omitidas sob o risco de transformarmos o anarquismo em um movimento parado no tempo e sem propostas efetivas para os dias de hoje.

A publicação destas obras não é um fim para o coletivo editorial, pelo contrário, é apenas um meio para levantarmos a discussão sobre a viabilidade e a necessidade do anarquismo combativo, retomar seu peso político e sua luta social, com formas adequadas ao momento histórico e a necessidade revolucionária. Vale ressaltar que os membros do coletivo editorial são militantes, que atuam junto com o povo por transformações, não são apenas “acadêmicos” ou pessoas que são “boas na teoria”, mas que na hora da necessidade da prática nada fazem. Nossa expectativa é que as obras publicadas ajudem a prática anarquista e combativa e não só que sirvam de subsídios para discussões teóricas e elucubrações que não levam a lugar algum.

Esperamos então que o papel do coletivo não seja apenas o de publicar obras, mas que ultrapasse o limite desta atividade e consiga levantar uma discussão propositiva sobre a viabilidade e necessidade do anarquismo combativo, militante e revolucionário. Para isto nos colocamos a disposição para a realização de debates e palestras, para a discussão de nossas concepções e de nossa posição acerca da construção de um movimento anarquista com bases concretas e com formas que viabilizem uma prática política mais incisiva.

Sabemos que não somos os únicos que sentem a necessidade de o anarquismo organizado, com peso político e trabalho militante voltar a luta nos dias de hoje, por isso esperamos sinceramente que as pessoas gostem de nossas edições, e mais, que as pessoas assim como nós e conosco procurem viabilizar o retorno e a construção do movimento anarquista combativo brasileiro.

Manifesto de lançamento do coletivo editorial anarquista Luta Libertária

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SOBRE A DISCIPLINA
REVOLUCIONÁRIA

Alguns camaradas me fizeram a seguinte pergunta: como é que eu entendo a disciplina revolucionária? Vou lhes responder.
Compreendo a disciplina revolucionária como uma autodisciplina do indivíduo, estabelecida num coletivo atuante, de modo igual para todos, e rigorosamente elaborada. Ela deve ser a linha de conduta responsável dos membros desse coletivo, induzindo a um acordo estrito entre sua prática e sua teoria.

Sem disciplina na organização, é impossível empreender qualquer ação revolucionária séria. Sem disciplina, a vanguarda revolucionária não pode existir, porque então ela se encontrará em completa desunião prática e será incapaz de formular as tarefas do momento, de cumprir o papel de iniciador que dela esperam as massas.

Faço repousar esta questão sobre a observação e a experiência de uma prática revolucionária conseqüente. De minha parte, baseio-me sobre a experiência da revolução russa, que tinha um conteúdo tipicamente libertário sob muitos aspectos.
Se os anarquistas estivessem firmemente ligados no plano organizativo e tivessem observado, em suas ações, uma disciplina bem determinada, não teriam jamais sofrido uma tal derrota. Mas, porque os anarquistas “de todo estilo e de todas as tendências” não representavam, mesmo em seus grupos específicos, um coletivo homogêneo, com uma disciplina de ação bem definida, não puderam suportar o exame político e estratégico que lhes impuseram as circunstâncias revolucionárias.

A desorganização conduziu os anarquistas à impotência política, dividindo-os em duas categorias:

- A primeira foi a dos que se dedicaram à sistemática ocupação das residências burguesas, nas quais se alojaram e viveram para o seu bem-estar. Eram os que eu chamo de turistas, os diversos anarquistas que vão de cidade em cidade, na esperança de encontrar um lugar onde permanecer algum tempo, espreguiçando-se e desfrutando o máximo possível de conforto e prazer.

- A segunda se compunha dos que romperam todos os laços honestos com o anarquismo (ainda que alguns deles, na URSS, façam-se passar agora pelos únicos representantes do anarquismo revolucionário) e se lançaram sobre os cargos oferecidos pelos bolcheviques, no momento mesmo em que o poder fuzilava os anarquistas que permaneciam fiéis ao seu posto de revolucionários e denunciaram a traição dos bolcheviques.

Diante desses fatos, compreende-se facilmente porque eu não posso continuar indiferente ao estado de despreocupação e negligência que existem atualmente em nossos meios.

De uma parte, isso impede a criação de um coletivo libertário coerente, que permitirá aos anarquistas ocuparem o lugar que lhes cabe na revolução. Doutra parte, isso permite contentar-se com belas frases e grandes pensamentos, omitindo-se no momento de agir.

Eis porque eu falo de uma organização libertária apoiada sobre o princípio duma disciplina fraternal. Uma tal organização conduzirá ao acordo indispensável de todas as forças vivas do anarquismo revolucionário e o ajudará a ocupar seu lugar na luta do Trabalho contra o Capital.

Por esse meio, as idéias libertárias certamente ganharão as massas e não se empobrecerão. Somente os fanfarrões consumados e irresponsáveis fugirão diante de uma tal estrutura organizacional.
A responsabilidade e a disciplina organizacionais não devem horrorizar: elas são companheiras de viagem da prática do anarquismo social.

Nestor Makhno
Dielo Trouda, n° 7-8, dezembro de 1925 – janeiro de 1926.

Makhno, os textos desconhecidos...
Este e outros textos de Makhno se encontram no livro Anarquia e Organização, editado pelo nosso coletivo. É a nossa edição de estréia. Há artigo que contextualiza a Ucrânia na Revolução Russa; um texto de Piotr Archinov, que lutou no movimento makhnovista, sobre as relações entre anarquismo e makhnovitchina. Depois vem um textos de Makhno já na época do exílio na França. Chega-se então ao principal texto do livro, o famoso e ao mesmo desconhecido Plataforma de Organização. Os textos seguintes fazem parte do debate que se iniciou com a publicação da Plataforma, entre eles estão o próprio Makhno, Malatesta e Archinov. Finalizando o livro, nosso coletivo escreveu um texto de balanço, refletindo sobre o movimento makhnovista e a Plataforma de Organização vistos numa perspectiva atual.

Um novo periódico anarquista...

No mês de julho, estaremos iniciando a publicação de um boletim mensal do Luta Libertária.

Precisamos de gente...

...disposta a ajudar nosso trabalho de alguma forma. Alguns trabalhos e materiais são necessários para manutenção de nossas publicações: traduções de inglês, francês, etc.; revisão de textos; imagens e fotos relacionados aos temas; digitação de textos; canais para distribuição de nossa publicação (livrarias, sebos, etc.); selos para envio de material pelo correio; papel; cartuchos de impressora, etc. Se você pode ajudar com algum destes itens (ou com outro tipo de coisa) entre em contato conosco e poderemos trabalhar juntos.

Luta Libertária - coletivo editorial anarquista
e-mail: lutalibertaria@aol.com
Caixa Postal 11.639, Lapa, São Paulo/SP - CEP: 05049-970

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PARA O QUE ESTAMOS LUTANDO
Kronstadt, 8 de março de 1921

Depois de realizar a Revolução de Outubro, a classe operária esperou alcançar sua emancipação. Mas o resultado foi uma escravização ainda maior da personalidade humana.

O poder da monarquia policial passou para as mãos dos usurpadores Comunistas que, em vez de liberdade ao povo, instilou-o o medo constante de cair nas câmaras de tortura da Cheka, as quais pelos seus horrores superaram a administração policial do regime tzarista. As baionetas, balas e as ordens ásperas dos oprichniki da Cheka: isso foi o que os trabalhadores da Rússia Soviética ganharam depois de tanta luta e sofrimento. O glorioso emblema do estado operário – a foice e o martelo – foi, de fato, substituído pelas autoridades comunistas pelas baionetas e as janelas gradeadas, com o objetivo de manter a vida calma e tranqüila da nova burocracia dos comissários e funcionários Comunistas. Porém, o mais infame e criminoso é a servidão moral inaugurada pelos Comunistas. Eles apoderaram-se também do mundo interior dos trabalhadores, forçando-os a pensar do modo Comunista. Com o auxílio dos sindicatos burocratizados, amarraram os operários as suas linhas de produção, transformando o trabalho não em prazer, mas numa nova forma de escravidão. Aos pro-testos dos camponeses, expres-so em rebeliões expontâneas, e dos trabalhadores, cujas condições de vida levaram-nos à greve, respoderam com execuções em massa e derramamento de sangue, ações essas nas quais não foram superados nem pelos generais tzaristas.

A Rússia dos trabalhadores oprimidos, o primeiro país a levantar estandarte vermelho da emancipação operária, foi encharcada no sangue daqueles martirizados pela glória da dominação Comunista. Nesse mar de sangue, os Comunistas estão afogando todos os grandes e iluminados compromissos e lemas da revolução dos trabalhadores. O panorama torna-se cada vez mais nítido e, agora está claro, que o Partido Comunista Russo não é o defensor dos trabalhadores como pretende fazer acreditar. Os interesses do operariado lhe são estranhos. Tendo tomado o poder, temem somente perdê-lo e, assim, imaginam todos os meios possíveis: calúnia, violência, engano, assassinato, vinganças sobre a família dos rebeldes.

A longa e sofrida paciência dos trabalhadores está no fim. Aqui e ali a terra é iluminada pelas fogueiras da insurreição na luta contra a opressão e a violência. Greves explodiram, mas os agentes da “Okhrana” bolchevista não estavam dormindo e tomaram todas as medidas para impedir e suprimir à inevitável terceira revolução. Mas ela chegou de qualquer modo e está sendo feita pelas mãos dos próprios trabalhadores. Os generais do Comunismo veêm claramente que é o povo que se levantou, convencido que as idéias do socialismo foram traídas. Ainda assim, tremendo pelas suas peles e cientes que não há escapatória da ira dos trabalhadores, tentam, com a ajuda dos seus oprichniki, aterrorizar os rebeldes com a prisão, pelotões de fuzilamento e outras atrocidades. Mas a vida sob o jugo da ditadura Comunista tornou-se mais terrível do que a morte.

Os operários em rebelião entendem que não há meio termo na luta contra os Comunistas e a nova servidão que eles construíram. Devemos continuar até o fim. Eles aparentam fazer concessões: na província de Petrogrado foram removidos os destacamentos militares das ruas e 10 milhões de rublos foram alocados para a importação de alimentos. Mas não devemos ser enganados, pois atrás desse engodo está escondida a mão de ferro do ditador, desejando ser recompensado cem vezes pelas suas concessões logo que a calma for restaurada.

Não, não pode haver meio termo. Vitória ou morte! O exemplo está sendo dado pelo Kronstadt Vermelho, ameaça aos contra-revolucionários de direita e de esquerda.

Aqui é hasteada a bandeira da rebelião contra os três anos de violências e opressão do regime Comunista, que obscureceu os trezentos anos do jugo monárquico. Aqui em Kronstadt foi colocada a primeira pedra da terceira revolução, destruindo os últimos grilhões das massas trabalhadoras e abrindo uma nova e larga estrada para a criatividade socialista. Essa nova revolução levantará também as massas trabalhadoras do Leste e do Oeste, servindo como exemplo para uma nova construção socialista em oposição a “criatividade” burocrática dos Comunistas. As massas trabalhadoras no exterior verão com seus próprios olhos que tudo o que foi criado aqui até agora, pela vontade dos trabalhadores e camponeses, não foi socialismo. Sem um só tiro, sem uma gota de sangue, o primeiro passo foi dado. Os trabalhadores não necessitam sangue. Eles o deixarão correr somente em sua auto-defesa. A despeito de todos os atos ultrajantes dos Comunistas, temos bastante comedimento para nos limitar-nos a isolá-los da vida pública, de modo que suas maliciosas e falsas agitações não atrapalhem nosso trabalho revolucionário.

Os operários e camponeses marcham firmemente para frente, deixando atrás deles a Assembléia Constituinte com seu regime burguês e a ditadura do Partido Comunista, com sua Cheka e o seu capitalismo de estado, cujo laço do carrasco envolve os pescoços das massas trabalhadoras e ameaçam estragulá-las até a morte. A presente reviravolta finalmente dá aos trabalhadores a oportunidade de terem seus soviets eleitos livremente, operando sem nenhuma pressão do Partido e de reconstruírem os sindicatos burocratizados, transformando-os em associações livres de trabalhadores, camponeses e da intelligentzia trabalhadora.
Finalmente foi quebrado o último clube de policiais da autocracia Comunista.

Extraído do livro Kronstadt de Paul Avrich
Traduzido por O. Goatbranchson (Rio de Janeiro/RJ)

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O ESTADO …ESSA ABERRAÇÃO!

Diz-se ou dizem que o Estado moderno nasceu com a Revolução Francesa. Ora… durante os largos dias em que já vivi sob a tremonha do Estado, senti que é o mais frio dos monstros!

Mas…sem ser profeta ou adivinho antevejo a sua morte!

E o que o vai matar é o fisco!

Porque o estado é insaciável! Dirão alguns: - Mas o Estado somos todos nós! Eu responderei: Olha o estado a que o Estado chegou?
Toda a casta da máquina terrorista do Estado, só pensa ser mais e melhor à custa dos que são subtraídos ou roubados ao esforço de sobrevivência que desenvolvem com o seu trabaljo.

Mas, leia-se a História, não a história da carochinha…

Vamos para o “El Estado en la Historia”, do Gaston Leval?

Lendo esse livro (lê-se bem pois o Espanhol é muito parecido com o Português) fica-se a saber que: o fisco encontra sempre novos pretextos para aumentar os impostos até o ponto de querer tudo! Uma vergonha! Até pagamos para “levar na corneta”!

Mundo de louco em acelerada decomposição, o Estado é amargo, cheira a feudo e os seus apaniguados são os autores dos mandos de tanta violência…e querem-nos impor o consenso democrático, assimétrico e sórdido, esquecendo-se que o Anarquismo está na paisagem e no coração dos homens e só pretende o cumprimento de todos os direitos humanos.
O Estado é o cassino desumano!

Aceleremos a sua decomposição!

O Estado faz parte da formação cultural de praticamente todos os que vivem sob seus domínios, e a grande maioria dos indivíduos não consegue imaginar qualquer estrutura de organização social fóra do Estado.

São os fatos, é a História que comprovou…os governos, o Estado, os parlamentos e todas as demais instituiçõesque daí derivam são uma farsa, uma grande e estupenda farsa, que procura arrogar-se de benfeitora da Liberdade e da Felicidade humana, único meio para a obstrução do bem-estar da Humanidade…

Não há uma só pessoa honesta e consciente que não sinta repugnância diante de tanta hipocrisia.

Os governos são as rédeas que a classe dominante usa para controlar o povo, mantê-lo na linha e estabelecer até onde podem ir suas exigências. O mais importante para os governos é a manutenção da estrutura social vigente sob a sua administração, e sempre que seus interesses extrapolam as vias “legais”, trata logo de aniquilar os que incomodam, seja pela via da fome e da miséria, ou dos esquedrões da morte….

Pessoalmente, e considerando que os agentes dos impostos atuam como bandidos de estrada, fatalmente terão um fim violento – pois são mais rapaces que qualquer gangster.

Todo governante é um déspota, parasita e prediota1, e não patriota!

Combatamos e destruamos o Estado com tudo o que estiver ao nosso alcançe e por todos os meios!
Do vosso companheiro,

Manuel Vieira (Almada/Portugal)

1prediota - aquele que quer viver em prédios do estado, pagando pouco aluguel e ter prédios para alugar a preços elevados!

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