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Os trabalhadores da Petrobrás demitidos pelo governo Collor, em junho de 1990, ocuparam no dia 16 de dezembro de 1992 o hall do prédio da administração (EDISE), no centro do Rio. Tal atitude foi o ponto culminante de um processo que se arrasta a mais de dois anos. Os companheiros cansaram de esperar a efetivação da decisão da justiça que, mesmo burguesa, lhes deu o direito de serem reintegrados ao trabalho (ganharam na 1ª e 2ª instâncias). Esta manifestação pacífica durou 39 dias onde os demitidos (todos eles concursados) sofreram diversas represálias como: proibição do uso dos banheiros, dos bebedouros, corte dos telefones do hall e impedimento de poder entrar ou sair do prédio. A ocupação acabou no domingo dia 24 de janeiro de 1993. Seguranças da Petrobrás aliados a PM (a usual dobradinha: aparelhos de repressão particular e estatal), somando cerca de 80 canalhas; armaram uma emboscada às 8:45h da manhã para retirar as 15 pessoas que ainda resistiam dentro da empresa e outras 15 que davam apoio fora. Entre os demitidos, muitos mostraram as marcas da selvageria dos Carrascos. Vários companheiros do movimento anarquista, que faziam plantão rotativo, também foram agredidos. Mais uma demonstração de solidariedade e apoio do MA/RJ à resistência dos demitidos da Petrobrás e, em particular, aos anarquistas, Jorjão e Tavares. Solidariedade esta que, como era de se esperar, não veio da parte da direção do Sindicato dos Petroleiros/RJ. Ao contrário, várias vezes ameaçou retirar o apoio à luta, tentando dividir a categoria. Este foi só o primeiro ato de repressão do governo ITAMAR. Esse, como todo governo, usa o aparato de repressão para impor a sua ordem, não importando o topete ou a preferência esportiva. Esta triste experiência nos conduz à certeza de que não adianta ficar só gritando: Pela não privatização das estatais! Temos que nos mobilizar propondo uma profunda modificação estrutural da gestão dessas empresas, atualmente entregue a uma escória resultante de "partilhas" e "negociatas" políticas. Atitudes grotescas como essa, contra ex-funcionários em manifestação pacífica, com certeza não ocorreriam se a Petrobrás (ou outra estatal qualquer) fosse gerida por quem realmente produz. Temos que levantar, para a sociedade, a discussão de outras alternativas à rasa disputa entre presidencialismo ou parlamentarismo. O Anarquismo propõe a AUTOGESTÃO como solução. Uma forma de produzir onde todos participam da gestão de sua empresa, se auto-organizando sem utilizar hierarquias de poder e sem ter que aturar "chefetes" indicados por tal deputado, superintendentes amigos de tal senador, diretores colegas de tal ministro e presidentes de tal quadrilha! |topo| |