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Nada de fato vai mudar. Neste 21 de abril, os brasileiros estão coagidos a participar do plebiscito para escolher o regime político e a forma de governo do pais. Com requintes de cinismo, as elites querem nos fazer acreditar que mudando de fachada política iremos resolver a crise brasileira. Estão nos dando a fome e a oportunidade de escolher a "melhor forma" de sermos tiranizados. O que queremos é acabar com a miséria, o desemprego e encontrar meios de não sermos explorados. Claro que estas questões nunca serão objeto de plebiscito algum. Os resultados desestabilizariam as oligarquias dominantes. Tentam nos empurrar goela abaixo falsas alternativas e mais urna vez desviam o foco das atenções para prob1emas sem importância. A superficialidade, a fragilidade e falsidade das companhas são mais um sinal da futilidade dessa discussão e do oportunismo dos políticos. Vejamos: Monarquia: O seu principal argumento é que o monarca seria o chefe de estado, figura importante para manter a ordem, exercendo um poder moderador entre os interesses em jogo, possibilitando maior estabilidade institucional devido a sua vitaliciedade. Cabem algumas questões. Qual ordem? Que Estado? No interesse de quem? É um engodo achar que a estabilidade das instituições burguesas trará vantagens para outros senão à própria burguesia. A monarquia no Brasil foi um período de "grande estabilidade e progresso", alegam os monarquistas. Se esquecem que o "Império do Brasil" foi sustentado pelas monoculturas escravagistas; que o voto era censitário: só votavam os homens, brancos e ricos. Se esquecem que o endividamento externo começou nesta época. Não falam das repressões sangrentas às rebeliões provinciais: Cabanagem, Praieira, Alfaiates, Farroupilha e outras. Sem mencionar a corrupção que já era generalizada. Parlamentarismo: Pra começar que Parlamentarismo? Existem várias formas de implementar esse regime de governo, mas disso não se fala. As lideranças deste movimento como: Paulo Maluf, Delfim Netto, Feury, Covas e Lula (que pulou o muro por causa do "centralismo democrático" do PT), não admitem que este sistema é a forma mais clara de dificultar as cobranças e qualquer apuração de responsabilidades. A pseudo flexibilidade nos cargos executivos, tem por objetivo criar expectativa de mudança toda vez que cai um gabinete. Mas quem escolhe o gabinete? Os mesmos canalhas que compõem o Congresso Nacional, predominantemente eleitos pelo poder econômico. Presidencialismo: A corja que está a frente desta campanha fala por si mesma: Brizola, Quercia, ACM, Marco Maciel, Ney Maranhão e Cia. Os "candidatíssimos" defendem poderes "divinos" se vierem a ser eleitos. O principal argumento do Presidencialismo é que nós escolhemos diretamente quem manda no país, o que não vale nada: vide Collor. Escolher diretamente aquele que tem o direito de decidir questões relevantes de nossa vida parece masoquismo. Na verdade, todo presidente será fruto de disputas de hegemonia no seio da classe dominante, seu interesse na população é meramente eleitoreiro. As eleições diretas para presidente são apenas uma caça ao aval da população para que o "iluminado" que ascenda ao poder, tenha carta branca para fazer e desfazer tudo o que ele ou seu grupo queiram. Anarquismo: Nós anarquistas, somos contra todas essas propostas por, entre outras coisas, considerarmos uma farsa o conceito da representatividade. É simplesmente impossível uma pessoa representar outra - o que dirá milhões! A eleição faz o indivíduo viver uma realidade diferente de seus eleitores. Impunidades, facilidades, privilégios legais e altos rendimentos, são algumas das armadilhas montadas pelo sistema para desarticular os sindicatos e os movimentos sociais - através da cooptação de suas lideranças espontâneas e reconhecidas. Ao votar, nós estamos transformando nossa cidadania em mera ficção. Abrimos mão de decidir e atuar diretamente em todas as questões relativas a nossa vida e daqueles com quem convivemos. Chega de alienação! Vamos respeitar nossa capacidade de ser e realizar em autogestão. Agir diretamente. Em vez de gastar energia trocando de "ismos", montar redes de apoio mútuo e solidariedade, quebrar as relações de poder e hierarquia. Não precisamos nos preocupar com as fantasias dos governantes, não queremos governo algum. VOTO NULO - NÃO SUSTENTO PARASITAS |topo| |