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Libera
Nº 42
REFLEXÕES
SOBRE AS ELEIÇÕES/94
Apesar
da farsa eleitoral não ser algo importante para os nossos objetivos
revolucionários, ela nos levou a algumas reflexões, as
quais gostaríamos de compartilhar:
1ª Reflexão: A Eleição de Fernando II -
A Continuação
Desta vez, as elites mais conservadoras se prepararam muito bem e não
tiveram que apelar para um candidato suicida, como Collor. Vários
nomes foram preparados para substituir Itamar, entre eles Ciro Gomes,
Antônio Brito e FHC. O último teve seu nome reforçado
pelo eleitoreiro Plano Real, que apesar de ter achatado salários,
conseguiu impressionar muito a população, e seu efeito
psicológico (reforçado pela mídia) fez o/a brasileiro/a
acreditar que teinha algo real, apesar de ter pouco.
Lição nº1: A burguesia está se articulando
melhor.
2ª Reflexão: A Derrocada do Brizolismo
O Brizolismo teve sua queda definitiva. No Rio, Brizola perdeu até
do Enéas. Surpreendentemente, o PDT continua vivo, agora porém,
apoiado no personalismo regional.
Lição nº2:A Rede Globo conseguiu mais uma!
3ª Reflexão: A Merda Fede Mais com Enéas
O 6º colocado nessas eleições, atrás da abstenção,
do voto nulo e do voto em branco, foi o Enéas, do PRONA.
O perfil de seus quase 5 milhões de eleitores é menos
definido do que se imagina. A maior parte de seus votos foram devidos
a sua imagem de pessoa de boa formação, de seriedade,
de descompromisso ou protesto. Mas não nos iludamos, o voto em
Enéas é preconceituoso e reacionário. Representa,
em alguma medida, a articulação da extrema-direita. O
preocupante não é a ascensão dessa figura, mas
o espaço que seu discurso conseguiu nos meios de comunicação.
Aqui vão dez argumentos que demonstram que Enéas é
fascista:
1) Seu partido cultua a personalidade do ridículo candidato;
2) Seu discurso reafirma a autoridade e a hierarquia, transparecendo
o autoritarismo;
3) Nega por completo a luta de classes;
4) É extremamente nacionalista;
5) Prega a centralização do poder e a centralização
doutrinária de norte a sul do país;
6) Seu lado elitista foi ressaltado através da sua postura preconceituosa
em relação ao Lula, simplesmente por este não ter
o 3º grau;
7) Os problemas econômicos seriam resolvidos através de
um estado forte;
8) Fez várias menções preconceituosas aos homossexuais;
9) Disse que os problemas entre patrões e empregados devem ser
intermediados pelo estado;
10) Nunca negou veementemente ser fascista, apesar das inúmeras
oportunidades de fazê-lo.
Lição
nº3: Às vezes aquilo que parece, é mesmo!
4ª Reflexão: Os Votos Nulos, Brancos e a Abstenção
Os votos nulos, brancos e a abstenção não parecem
ser totalmente fruto da ignorância, como querem fazer crer. O
voto em FHC, sim, parece ser um voto menos consciente.
O número de votos nulos (7.445.403) e brancos (7.193.824) em
94 foi o triplo do registrado no 1º turno de 89. A abstenção
em 94 (16.776.486) foi quase o dobro da observada em 89 (9.784.502).
em estados como o Pará, Tocantins e Maranhão, a abstenção
foi superior a 30%.
Tais números demonstram um profundo desinteresse da população
por este teatro armado. Grande parte destes/as brasileiros/as já
perceberam que nada muda em suas vidas, entrando esse ou aquele candidato.
Por isso, cagam e andam para os políticos.
Lição nº4: Seria menos vergonhoso para o sistema
acabar com o voto obrigatório.
5ª
Reflexão: O Jogo pelo Poder é um Jogo Sujo
Em quase todas as zonas eleitorais do Rio a fraude nas eleições
proporcionais foi imensa. Na 25ª Zona (Jacarepaguá), 90%
dos boletins foram adulterados. Uma quadrilha, organizada por políticos
e gente do TRE, vendia votos como se vendem mariolas. O número
de votos em branco foi, em quase todo Estado, muito abaixo da média
nacional. O resultado dessa bandalheira toda foi a inédita anulação
das eleições proporcionais.
Lição nº5: É mole... sem comentários!
6ª Reflexão: Não Chore PT!
A militância petista já não teve o fôlego
de 89. Entre outros motivos, isto é conseqüência da
mudança do discurso do partido com a proximidade do poder.
A mudança mais radical foi notada na senadora eleita Benedita
da Silva. Em 93, essa era candidata a prefeitura do Rio e considerava
o problema da segurança da cidade como conseqüência
de problemas sociais mais profundos. Nestas eleições,
sugeriu na TV que devemos equipar melhor a polícia e pagar melhores
salários aos policiais para resolver o problema da violência.
De questão social para problema de polícia. Depois dizem
que o poder não corrompe...
E o Lula? Tem muito petista achando que ele nunca mais será eleito.
Discordamos! Lula só não é presidente porque isto
significaria queimar desnecessariamente um cartucho valioso. Lula é
o trunfo da burguesia, na possibilidade desta perder o controle das
massas populares. Qual é a jogada? Quando os/as trabalhadores/as,
estudantes e outros segmentos estiverem radicalizados, a burguesia ajudará
a ascensão de Lula e, desta forma, arrefecerá os conflitos.
Este apoio da burguesia, claro, se dará "por baixo dos panos".
E os ingênuos mais uma vez votarão no PT, que terá
a possibilidade de administrar o capitalismo e desarticular os movimentos
sociais em prol do seu governo.
Prognóstico Final: Logo veremos greves de Cutistas sendo reprimidas
por policiais mandados pelo PT!
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ESPAÇO LIBERTÁRIO
DO SUL
Entre
muitas coisas que aconteceram em Porto Alegre, algumas chamaram mais
atenção. Foi o caso da chegada de FHC no aeroporto Salgado
Filho e das manifestações anti-militaristas, fatos estes
ocorridos no mês de setembro. Assim, a militância libertária,
aos poucos, surge como uma alternativa real para a população.
DESCONHECIDOS
PELA IMPRENSA & DESCONHECIMENTO DA IMPRENSA
Aeroporto
Salgado Filho, 2 de setembro de 1994, sexta-feira, 20:30 horas. Um grupo
de militantes provoca certo tumultuo na chegada de FHC em Porto Alegre.
"- Globo e FHC enganando você! Globo e FHC, enganando você!",
era o que gritavam cerca de 20 pessoas carregando uma faixa, em um protesto
totalmente apartidário. Logo no outro dia, as páginas
de certos jornais relatavam: Grupo de desconhecidos, MR8 (???), tropa
de choque do Quércia (???), petistas (???), etc... armam confusão
na chegada de Fernando Henrique.
Uma semana depois, outro grupo de desconhecidos arma uma grande confusão
no desfile militarista do dia 7 de setembro. Desta vez, o s desconhecidos
ganham projeção nacional via Rede Globo. Na cobertura
do desfile transmitido ao vivo pela RBS, uma pancadaria toma de assalto
a telinha e registra o confronto entre militares e anti-militaristas.
No outro dia, alguns jornais noticiavam a manifestação,
que denunciava o armamentismo e o serviço militar obrigatório.
TÁTICA
& ESTRATÉGIA ou FAZENDO BARULHO VIA IMPRENSA
A
propagação de idéias libertárias é
fruto de organização. Agir no local e na hora certa pode
trazer benefícios. Pois que cada grupo/indivíduo julgue
o certo de acordo com sua realidade/momento histórico.
A imprensa é um grande nó que prende a todos, pois ela
é um dos principais meios pela qual se fica sabendo o que acontece
por aí. Ela interfere diretamente na (de)formação
de opinião, montando e desmontando sistemas, colocando e tirando
governos, normalmente agindo por interesses alheios aos da população.
Mesmo assim, é possível utilizar esta fantástica
máquina de moldar mentes, de forma a gerar polêmicas em
torno de assuntos que possam vir a ter afinidade com os objetivos do
pensamento libertário. Para começar, é preciso
cuidado. Estamos lidando com um dos consideráveis suportes do
sistema e não podemos ser ingênuos. O pensamento libertário
é freqüentemente distorcido e rejeitado pelos canais populares
de comunicação, criando de antemão um preconceito
por parte daqueles que buscam saber alguma coisa de nós. Para
quem não conhece o pensamento libertário, simplesmente
não passamos de um bando de loucos delirantes, sonhando com o
paraíso. Talvez sim! E por que não?
A
UTOPIA
A
intensificação do trabalho libertário junto a alguns
setores da sociedade tem crescido consideravelmente. Nada de espantos!
Com trabalho e responsabilidade, as coisas começam a andar. Além
disso, são necessários ajustes teóricos (tem que
estudar mesmo, para não falar bobagem!) e principalmente convicção
ideológica. Felizmente, um considerável número
de libertários já chegou a essa conclusão, mas
o que impressiona é o fato de alguns coletivos libertários
exercerem tão pouco o que viria a caracterizar a coerência
e a popularização de nossas metas. Palavras como solidariedade,
apoio mútuo, autogestão, entre outras, são muito
pouco divulgadas, muito pouco exploradas no discurso libertário.
E quando o são, muitas vezes não convencem devido à
falta de preparo da militância.
Não estamos, com isto, colocando de lado a importância
da intenção de luta de muitos militantes, pelo contrário,
a perseverança é fundamental na batalha. Mas ela jamais
substituirá a carência de teoria que afeta esta parcela
do movimento. Que sirva, então, de impulso para o apuramento
teórico.
Muitos grupos/pessoas acabam sendo agressivos com discursos que, para
quem não conhece e nunca ouviu falar em anarquismo, soam como
uma explosão contra tudo e contra todos. Isto não é
bom! Termina-se morrendo pela própria boca. A argumentação
torna-se fraca e sujeita a contradições, dotada de um
radicalismo pregado por quem não sabe explicá-lo. A fraternidade
e a coerência do discurso libertário deve se impor a "visuais"
ou a posturas muitas vezes discutíveis. Nossa voz deve ir mais
longe. O povo que sofre na pele a dor da exploração está
desorganizado, sem esperanças e ingenuamente mantendo a prisão
social que nos domina. O grande contingente que mantêm a máquina-sistema
é, em sua maioria, formado por inocentes úteis tão
tiranizados quanto o mais lúcido dos revolucionários.
Apenas não aperceberam-se do buraco em que estão metidos,
enquanto se apóiam nas muletas do fascínio oferecido pela
sociedade de consumo. A defesa de uma sociedade justa e igualitária
é cada dia desacreditada em meio a massa de informações
que nos convence a aceitar a situação. Se não formos
capazes de oferecer um sonho melhor que o American Way of Life, jamais
colocaremos os pés suficientemente plantados no chão para
que possamos voar tão longe quanto quisermos.
A auto-crítica nos faz crescer, principalmente quando aprendemos
a atuar com estratégia junto aos movimentos sociais. Esta análise
que aqui fazemos vem no sentido de alertar, principalmente aos grupos,
da necessidade de uma organização que nos permita crédito
junto à sociedade e que leve ao povo uma alternativa concreta
de se auto-organizar. Repousar sob a marginalidade é condenar
a proposta libertária aos confins do underground, afastando de
nós a população que nos vê como um grupo
social peculiar na qual esta mesma população não
se acha apta a ingressar.
Juli
- Coletivo de Informações/RS (CP 5036; CEP 90041-970;
Porto Alegre/RS)
Outros Contatos: MAP/SC - CP 1088; CEP 88010-970; Florianópolis/SC
e Zine Foco Infeccioso (A/C: Fabiana) - CP 357; CEP 99700-970; Erexim/RS
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FEDERAÇÃO ANARQUISTA-COMUNISTA
DA INGLATERRA
PRINCÍPIOS E OBETIVOS
1)
A ACF (Anarchist Communist Federation) é uma organização
de revolucionários anarquistas para a luta de classes. Tem como
objetivos: abolir o capital e a hierarquia sob todas as suas formas;
criar uma sociedade sem classes e sem estado, num mundo sem fronteiras,
comunista-anarquista.
2) O capitalismo se baseia na exploração dos trabalhadores
pela classe dominante. Contudo, opressão e exploração
também se expressam como discriminação em termos
de raça, gênero, opção sexual, aptidão
física, idade e qualificações técnicas.
Nesses casos, uma parte dos trabalhadores oprime ou se beneficia com
a opressão da outra parte. Isso nos divide, impede a unidade
de classe entre os explorados e reforça o poder da classe dominante,
os capitalistas.
3) Os trabalhadores e demais oprimidos se fortalecem quando lutam autonomamente,
subvertendo as relações (econômicas e políticas)
de dominação. Para atingir nossos objetivos, começaremos
denunciando o poder que exercemos uns sobre os outros, tanto a nível
pessoal como político. Afirmamos que a luta contra o racismo,
o sexismo (machismo) e a homofobia são tão importantes
quanto qualquer outro aspecto da luta de classes. Não construiremos
o comunismo anarquista, enquanto houver racismo, sexismo e homofobia.
Portanto, mulheres, negros e homossexuais necessitam de organizações
independentes, atuando a partir de suas especificidades, sem perder
de vista que a libertação total só pode ser alcançada
com a destruição do capitalismo.
4) Combatemos a ideologia de libertação nacional, que
afirma a existência de interesses comuns entre patrões
e trabalhadores da mesma nação contra a dominação
estrangeira. Apoiamos todas as lutas do proletariado contra o racismo,
o fascismo, o genocídio, o etnocídio, além de outras
formas sutis de opressão na vida cotidiana, desde que não
conduzam à formação de uma nova classe dominante.
O proletariado não tem pátria.
5) Além de explorar e oprimir os trabalhadores de todos os países,
o capitalismo ameaça a humanidade com guerras e a destruição
do meio ambiente.
O aniquilamento do capitalismo só será possível
com a revolução social, que se desenvolve a partir da
luta de classes. A burguesia deverá ser derrubada e o estado
destruído, eis as condições para a instituição
do comunismo anarquista. Todavia, os capitalistas não abandonarão
o poder sem que o proletariado recorra à força das armas.
A revolução social será um tempo de violência
e também de libertação.
6) Os sindicatos, dada a sua função de intermediários
entre o trabalho e o capital, não são os instrumentos
adequados para a transformação revolucionária da
sociedade. Completamente integrados ao capitalismo, os sindicatos não
funcionam quando se trata de derrubá-lo, porque dividem os trabalhadores
entre empregados e desempregados, especializados e não-especializados,
trabalhadores manuais e intelectuais, etc. Mesmo direções
combativas são limitadas pela natureza do sindicato, pois têm
de ser capazes de controlar a categoria para poder negociar com os patrões.
Seu objetivo, através da negociação, é diminuir
a exploração do trabalho pelo capital.
7) Portanto, o objetivo dos dirigentes sindicais é antagônico
aos nossos. Quando lutamos por melhores condições, não
esquecemos de que as reformas conquistadas hoje podem ser perdidas amanhã.
Nosso objetivo principal é a completa abolição
da escravidão assalariada. Entretanto, nós não
tentamos convencer as pessoas a abandonar os sindicatos, a não
ser quando, numa situação revolucionária, eles
freiam as lutas. Iniciativas por um sindicalismo combativo e de base
podem ajudar-nos na luta pelo comunismo anarquista. O fundamental é
atuar coletivamente, incentivando os trabalhadores a se auto-organizar
na e pela luta de classes.
8) A libertação dos trabalhadores será obra dos
próprios trabalhadores. E virá, pelo método da
ação direta, das lutas revolucionárias de massas.
A instituição da sociedade comunista anarquista mundial
exige, mais do que a associação dos produtores livres
e iguais, o engajamento total no difícil processo de sua criação
(antes e durante a revolução social). Em tempos de luta
revolucionária, os trabalhadores criarão suas próprias
organizações, autônomas e controladas por cada um
de seus membros.
9) Nós, anarquistas, atuamos em todos os espaços e movimentos
sociais, impulsionando o processo revolucionário. Afirmamos que
uma forte organização anarquista é necessária
para que alcancemos o nosso objetivo. Recusamo-nos, porém, a
tomar o poder e/ou exercê-lo em nome dos trabalhadores.
A revolução social será realizada pelos trabalhadores.
Porém, a revolução tem de ser preparada por organizações
capazes de convencer os explorados e oprimidos de que a melhor alternativa
é a do comunismo anarquista. Nós, anarquistas, nos organizamos
de forma federativa, repudiamos os sectarismos e lutamos pela unidade
do movimento revolucionário.
Queremos construir uma Internacional Anarquista para unir as forças
dos revolucionários libertários, em todo o mundo.
ACF,
c/o 84b Whitechapel High Street, Londres E1 7QX, Inglaterra
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