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Libera
Nº 78
A
NOVA DOUTRINA DE SEGURANÇA REGIONAL
Um
país fictício, chamado Zambônia, vive uma terrível
guerra civil. A população passa fome, dois bandos rivais,
motivados por interesses de poder, disputam o domínio da pobre
nação realizando chacinas e massacres. A pouca infra-estrutura
econômica que havia vai sendo destruída. O caos é
total! Mas quando tudo era só desespero, eis que chegam os superamigos
cucarachos, os periquitos do exército de Caxias com seus cúmplices
verde-oliva da Argentina e Uruguai. Termina a guerra civil (ou seria
uma revolução?) e esta milicada sul-americana, usando
capacetes azuis da ONU, cumpre sua missão de paz. Esta
história, ao contrário daquele desenho animado dos anos
70, chamado liga da justiça, é muito mais
perigosa do que a propaganda ideológica enlatada yankee que a
Globo nos metia goela abaixo.
As manobras chamadas Operação Cruzeiro do Sul indicam
uma mudança estratégica no papel das forças armadas
latino-americanas, mais especificamente no Cone Sul. O sempre presente
exército brasileiro (entenda-se, a maior força contra-revolucionária
do continente) está à frente dessas mudanças. A
antiga doutrina militar brasileira, elaborada na Escola Superior de
Guerra (ESG), estava baseada em dois conceitos: doutrina de segurança
nacional e fronteiras ideológicas. Eram os tempos de guerra fria,
e especificamente na América Latina, começava um período
onde o estado brasileiro exercia um papel de reprodutor das técnicas
de repressão e controle desenvolvidas pelos EUA a partir da Escola
das Américas. Assim, milicos brasileiros aprenderam e desenvolveram
com muita competência um sistema preciso de contra-informação,
torturas e propaganda ideológica. Paralelamente, o estado brasileiro
intervinha na produção e gerava toda a infra-estrutura
para o que viria a ser a 8ª economia do mundo.
Um efeito direto da política externa da repressão brasileira
em parceria com a CIA, foi a chamada Operação Condor,
onde Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile coordenaram seus serviços
de inteligência e operaram em conjunto contra as guerrilhas da
região. Foi neste processo que companheiros de organizações
anarquistas de combate, como a FAU uruguaia e a Resistência Libertária
(RL) argentina encararam os serviços de vários países
ao mesmo tempo. Só para dar um exemplo, a FAU teve militantes
que caíram em quatro dos países do continente. As demais
organizações revolucionárias passaram pela mesma
situação centenas de vezes.
Agora, em tempos de capitalismo integrado, um bloco econômico
minoritário como o Mercosul implica uma política militar
unificada para a região. Ao contrário do que foi dito
nas manobras realizadas no distrito de Saicã, município
de Rosário do Sul, microrregião da Fronteira Oeste no
estado do Rio Grande do Sul, essas manobras foram um ensaio de mobilização
de tropas regionais contra inimigos internos (no último relatório
do comando argentino, estes inimigos seriam potencialmente: movimentos
indígenas, camponeses ou de levantes em massa da chamada parcela
excluída da sociedade). O fato concreto e mais importante é
que a elite brasileira aos poucos vai remontando o quebra-cabeças
de seu projeto de subimperialismo permanente, que vem desde o 2º
reinado do então império do Brasil. Na queda de braço
com Washin-gton, neste primeiro momento, o Itamarati levou a melhor.
Já se tem uma política econômica própria
e agora a milicada tupiniquim volta a mostrar suas garras.
Houve ensaios de Ações cívico-sociais (Aciso),
técnica de conquista de corações e mentes da população,
como a praticada pelo exército na repressão da guerrilha
do Araguaia. O Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA), a partir
da escola de comando do exército, conseguiu convencer seus colegas
uruguaios e jogar os generais argentinos contra as diretrizes de Menem,
que pregava maior obediência ao Pentágono. Parece que se
vão desenhando outra vez forças de repressão que
agem em bloco, como sócios minoritários latino-americanos,
o braço militar do Mercosul que acumula forças para entrar
na ALCA pela porta da frente.
Da parte das esquerdas reformistas e institucionais não se ouviu
nem uma palavra, o que não é nenhuma surpresa. Toda a
pelegada sonha com o dia em que vão passear de helicóptero
e passar as tropas em revista como faz FHC. De nossa parte a história
é outra e o buraco é mais embaixo. Sabemos perfeitamente
bem que não se derrota um sistema de dominação
como o capitalismo sem derrotar e desmontar integralmente suas forças
de controle e repressão. As forças armadas têm um
papel fundamental na América Latina, como elementos de manutenção
da ordem e de mudanças estruturais à direita. Não
é simples nem fácil analisar os movimentos dos milicos
e mais difícil ainda poder derrotá-los. Mas aos anarquistas
e à nossa classe oprimida, não nos cabe outra tarefa a
cumprir. Um primeiro passo é estudar com detalhes como toda essa
laia de assassinos fardados vai implementando sua nova doutrina de segurança,
e também quais são os efeitos imediatos e a médio
prazo que estas medidas poderão ter para as lutas populares no
Brasil e em todo o Cone Sul.
Lembrando sempre, como anarquistas que somos, qual é o papel
deles, e também qual é o nosso!
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UM CONVENIENTE
ESQUECIMENTO DA HISTÓRIA
Nas
frases finais da sua Carta ao Pai, Kafka diz: ...parece-me que
chegamos, apesar de tudo, a um resultado aproximando-se muito da verdade
para nos tranqüilizar um pouco e nos tornar a ambos a vida e a
morte mais fáceis. Peguei esse trecho ao acaso no dia seguinte
ao debate, com intervenções do auditório, entre
os professores Horácio Macedo, do PCB, e Alexandre Samis, do
CELIP. Ainda estava sob o impacto desagradável das colocações
do primeiro, representando o que, para abreviar longos qualificativos,
chamaríamos de ortodoxia. Mas, não resistimos a dizer
que tal qualificação é dada com toda uma carga
pejorativa.
A citação de Kafka, reitero, foi encontrada por coincidência
e, como reiteraremos mais adiante, simboliza, digamos, a parte relacionada
com as distorções da estrutura do caráter que caracterizaram
o comportamento cotidiano daquela ortodoxia ao longo de cerca de um
século, principalmente os conceitos e racionalizações
atuais, pós encerramento da União Soviética, que
passaram a ser apregoados de modo pseudocândido, como o fez o
Professor Horácio Macedo. O ex-Reitor da UFRJ não registraria
com tanta insistência e certeza, pensando ter chegado a um
resultado aproximando-se muito da verdade, seu discurso no auditório
do SINTRASEF, por desconhecimento da história. Isso seria inconcebível.
Assim, tudo nos leva a diagnosticar duas hipóteses: uma enorme
e invencível distorção ideológica no atacado
e no varejo, ou simples má-fé. Por outro lado, a citação
do texto de Kafka foi sopa-no-mel face à sensação
de rea-lismo fantástico e impalpabilidade que nos deixou o representante
do Partidão.
Apareceu nitidamente durante todo o debate, apesar dos muitos desmentidos,
alguns irônicos, históricos, conceituais e factuais, feitos
pelo palestrante libertário e por outras intervenções
libertárias, a usual candidez dos anarquistas. Talvez, mais que
candidez, educação exagerada. Num certo momento, o Professor
Horácio Macedo afirmou que a repressão à revolta
na fortaleza Kronstadt, em março de 1921, teria sido (afirmou
com inabalável certeza) feita pelo Soviete de Petrogrado, isto
é, por uma decisão coletiva dos representantes democráticos
do povo da cidade. Não se abalou quando uma intervenção
do auditório informou a verdade sobre o passado (!) em busca
de uma nova revolução.
Em todas as suas intervenções não houve nenhuma
crítica indignada ao totalitarismo brutal implantado. Nas entrelinhas
da sua afirmação, de que não se faz revolução
com luvas de pelica a historiografia ajudada hoje cada vez de
modo mais claro pela abertura dos arquivos russos aos historiadores
do mundo ficou óbvia sua omissão crítica
em relação à brutalidade do estado policial implantado
pelos iluminados condutores vanguardistas da revolução
operária.
Plagiando o final da carta de Kafka ao pai, diríamos que o grupo
a que pertence o Professor Horácio Macedo propala ao público
coisas para se tranqüilizar um pouco e tornar a ambos a vida
e a morte mais fáceis. Propala de modo tal que, para mim,
fica extremamente dificil ser tolerante. Evitei, pela não manifestação
oral, maiores rea-ções verbais que seriam, certamente,
muito irritadas. Sobretudo quando nos vinha à memória,
sem possibilidade de esquecimento, o período em que o Professor
Horácio foi reitor da UFRJ e as seqüelas negativas legadas,
por exemplo, entre muitas outras, o desgaste sofrido pelo instituto
salutar, alcançado como muitas lutas, das eleições
diretas para os cargos universitários.
Ao contrário, o Professor Alexandre Samis, envergando sua camisa
em homenagem aos massacrados de Kronstadt, e toda a numerosa e muito
jovem militância libertária presente manteve posições
firmes porém educadamente éticas. Quem sabe, de respeito
ao mais velhos que nem sempre mereceriam tal comedimento.
Só resta citar George Orwell: ... Aqui concluímos
o importante fato que cada opinião revolucionária (referia-se
aos estalinistas em especial e, aos leninistas, em geral) tíra
parte de sua força de uma convicção secreta de
que nada pode ser mudado. Concluímos apelando também
para Orwell, relembrando a sensação de pesadelo orwelliano
que nos deixou o, dígamos, representante do PCB. Tuda se resume
em diagnóstico já antigo. Ao preconizar reiteradamente
o esquecimento de fatos concretos, ou algo como a abolição
da história, aproxima-nos de um mundo, quiçá fascistizante,
necessariamente totalitário. Melhor: simplesmente confirmam mais
uma vez o dano irreparável que os hábitos totalitárìos
de pensamento e de ação, os conseqüentes maquiavelismo,
taticismo oportunísta e ética-de-ponta-cabeça que
grandes contígentes militantes causaram, e continuarão
a causar pelos tempos afora, às experiéncias revolucíonárias
sacíalistas.
Olavo
Cabral Ramos Filho
Rio de Janeiro, outubro de 1997
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ANTONIO SOTO CANALEJO
Desde o Ferrol antimilitarista à Patagônia
rebelde
Em
1963, na cidade chilena de Punta Arenas, falecia de uma trombose cerebral,
aos sessenta e cinco anos, um velho anarquista galego. Uma grande multidão,
portando bandeiras vermelhas e negras, acompanhou o enterro daquele
homem Antonio Soto Canalejo, o galego Soto que havia participado,
como um dos protagonistas mais renomados, em uma das mais intensas ações
do movimento operário argentino. Uma extraordinária mobilização
de milhares de trabalhadores rurais na Patagônia esquecida, reivindicativa
primeiro, trágica depois e, por último, legendária
na esperança ampliada pela recordação de
seu exemplo da impossível derrota nesta permanente luta
pela dignidade e a luta contra a exploração.
A crônica de Osvaldo Bayer, Os vingadores da Patagônia trágica
e o recente filme La Patagonia Rebelde de Hector Olivera, ilustram-nos
sobre aquele plano organizado em 1921-22 na Argentina pelos trabalhadores
rurais de Río Gallegos e a brutal repressão exercida contra
os grevistas pelo general Varela, o Pacificador, cujas tropas fuzilaram
mais de 1.500 trabalhadores, depois de golpeá-los, torturá-los
selvagemente e tentar humilhá-los, obrigando-os a cavar as próprias
tumbas, sobre as quais eram executados imediatamente. Ambos os relatos
destacam, entre outros, a figura do anarquista galego Antonio Soto,
à época secretário geral da comissão da
Sociedade Operária de Río Gallegos, convocadora da greve.
Soto havia nascido em 1897 em Ferrol, cidade portuária do norte
da Galícia dominada pelas autoridades da Marinha e o complexo
industrial-militar dos estaleiros, mas na qual também haviam
penetrado e arraigado com força entre os trabalhadores as idéias
anarquistas. Quando os libertários ferrolanos se dispunham a
celebrar o Congresso Internacional Contra a Guerra (1915), Antonio Soto,
com dezessete anos, é chamado para incorporar-se ao serviço
militar na Marinha.
O jovem, suponhamos que já familiarizado com os argumentos antimilitaristas
de seus conterrâneos anarquistas, não aceita a convocação,
deserta e embarca para a Argentina. Entre 1916 e 1917 já se encontra
na região patagônica, participando ativamente na organização
do movimento operário argentino de raiz libertária. Em
fins de janeiro de 1921 é nomeado por seus companheiros como
delegado ao Congresso Nacional das organizações operárias
anarquistas, que acontecem em Buenos Aires. Porta-voz, junto com Daniel
Blanco, dos 768 afiliados da Sociedade Operária de Río
Gallegos, sua presença é registrada na publicação
La Organización Obrera, órgão anarquista da Federação
Operária Regional Argentina ( FORA ).
É nessa época que começa o movimento na Patagônia.
Uma comissão da Sociedade Operária de Río Gallegos,
integrada por Antonio Soto, secretário geral, Leoncio Alonso,
secretário de atas, Antonio Fernández, tesoureiro e os
vogais Antonio Freire, Domingo Tarragó, Eligio Bautista, José
Traba, José Díaz, Francisco García, Paulino Martínez
e Enrique García, apresentam à patronal uma carta de reivindicações
para a amenização das duras condições salariais
e de vida dos trabalhadores, tanto urbanos quanto rurais.
Segundo Abad de Santillán, foi a início um simples
movimento de reivindicações modestas, mas a perseguição
policial e o ódio dos fazendeiros fizeram dele um acontecimento
histórico. Abarcou milhares de trabalhadores das fazendas e se
manteve quase um ano, até que foi selvagemente aniquilado a sangue
e fogo pelo Exército Nacional.
A Antonio Soto seus companheiros exigiram sua fuga para o Chile, para
poder dizer ao mundo o que nas longínquas terras do sul havia
acontecido e continuar a luta contra quem os condenava à miséria,
quando não à morte. Assim ele o fez.
Já o pacificador general Varela havia começado a repressão
brutal contra os trabalhadores grevistas da Patagônia. Reunida
a assembléia, dos poucos que ainda resistiam no coração
da província, decidem que o mundo há de conhecer
a verdade aqui sucedida e incumbiram Antonio Soto para que fugisse
para o Chile e como pudesse, tentasse relatar aos anarco-sindicalistas
de Buenos Aires e outras cidades o crime contra eles cometido. São
conscientes de que a morte que os espera é apenas mais terrível
que o silêncio. Sabem que o general Varela nem sequer deixa colocar
os nomes nas tumbas dos que assassina e logo o vento apagará
toda a chama daquele fulgor, daquela luta pela dignidade que tão
duramente estavam desencadeando. Afrontaram todas as penalidades numa
luta desigual e eram conscientes que seus sofrimentos teriam maior sentido,
se a crônica dos feitos se mantivesse permanente na memória
dos que haviam de sobreviver-lhes. Não quiseram renunciar a que
suas resistências e tragédias servissem para quem, como
eles, escolhesse o duro caminho da insubmissão. E na imensa solidão
da Patagônia havia acontecido um combate desigual e sua exemplaridade,
a de todos e cada um dos que morreram ou iam ser assassinados, não
podia perder-se.
Antonio Soto intenta chegar ao Chile atravessando as encostas do extremo
sul dos Andes. Perseguido pelo exército argentino e pelos carabineiros
chilenos da fronteira, postos em aviso pelo pacificador, quase sempre
a tiros de fuzil das patrulhas que ansiosamente o buscavam, consegue
atravessar a rude paisagem em cinco duríssimas e clandestinas
jornadas. Só a ajuda de uns poucos companheiros, que não
duvidaram em arriscar a vida para protegê-lo e guardá-lo
pelas trilhas ocultas, conseguiu que Antonio Soto chegasse à
cidade sulista do Chile Puerto Natale em 14 de dezembro.
Imediatamente lhe chegaram notícias de que não podia regressar
à Argentina. Escreve para as organizações operárias
de Buenos Aires dando conta do sucedido, mas além de as cartas
chegarem com dificuldade, as que chegam não são bem interpretadas
por líderes da capital. De certa forma, os dirigentes nacionais
da Federação Operária se sentem responsáveis
pela trágica solidão do movimento operário do sul,
portanto, ao conhecer a magnitude do desastre, projetam num primeiro
momento sua impotência e raiva inicial contra si mesmos. Apesar
disso, não tardaram em sinalizar na direção verdadeira
e identificar os agentes do crime, ainda que os sindicalistas burocratas
os que mais clamavam e acusavam, anunciando sua pronta traição
não tardaram em compactuar com o novo presidente Yrigoyen.
Anos depois, uma bomba anarquista porá fim à vida do pacificador
general Varela.
Entretanto, Antonio Soto, retido em Puerto Natale abre um cinema, de
nome Libertad que, por fracasso econômico, há
de fechar aos poucos, voltando às atividades sindicais. Organiza
os trabalhadores rurais do Chile e os operários dos frigoríficos,
montando sindicatos por toda a comarca do estreito de Magalhães,
entre Puerto Natale e Punta Arenas. Em 1933, dez anos depois do massacre,
consegue entrar na Argentina e não duvida um só instante
em retornar ao palco da tragédia. Em Río Gallegos tenta
reagrupar os sobreviventes e animar os novos imigrantes para retomarem
a luta, mas não consegue e nada parece deter o novo rumo reformista
do movimento operário argentino.
Já casado, com uma filha, em 1945 se muda para Punta Arenas e
trabalha em uma fundição e, aos poucos, como vendedor
de frutas no mercado, organiza sindicalmente os seus companheiros de
ofício. Em poucos anos, uma nova viagem pelas terras argentinas
mais próximas da Antártida, na Terra do Fogo. Neste longínquo
e gelado território apenas chegava o braço da polícia
e do exército, salvo nos acampamentos militares, como a famosa
e temida prisão de Ushuaia, na qual cumpriam penas dezenas de
sindicalistas. Não tardará a regressar ao Chile e instalar-se
definitivamente em Punta Arenas, onde morrerá em 1963, aos 65
anos.
M.
Genofonte
Traduzido pelo coletivo do Libera...,
Extraído da Revista La Campana.
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