Libera Nº 83

“PARA ALÉM DA MIOPIA INTELECTUAL”

Muito se tem falado sobre a devastação da Amazônia e também sobre a questão da terra no Brasil. Mas é importante dedicar um pouco de atenção às bandeiras levantadas, pois elas, como tudo no capitalismo, podem servir de fachada para a ideologia do lucro.

A questão ecológica, quase uma unanimidade nas preocupações das esquerdas, já rendeu bons dividendos aos investidores do ramo. Perdidos no meio de projetos do capital podemos até encontrar trabalhos sérios, que ainda não viraram souvenir para aplacar consciências pequeno-burguesas “aflitas” com os destinos da Terra. Mas infelizmente as posturas clorofilizadas não passam, na maioria das vezes, de tentativas de manter a natureza como um grande cartão postal sem maiores compromissos com as mudanças sociais.

Assim acontece também na questão da terra, hoje protagonizada pelo MST. Um relatório produzido pelo parlamentar reformista Gilney Viana (PT/MT), constatou que nas terras cedidas para os assentamentos no centro-norte do país estão ceifando um grande número de árvores, e por conseqüência, comprometendo o meio-ambiente na região.

O relatório colocou os tradicionais aliados, PT e MST, em uma situação no mínimo desconfortável, e contrapôs dois temas que até então, se não eram harmônicos, pelo menos, constavam das pautas dos grupos de esquerda como referência. A questão longe de ser um simples caso de quebra de corporativismo parlamentar ou, pelo contrário, desvio ético do MST, revelou um aspecto mais perverso.

O Conselho Indigenista Missionário, na pessoa de Paulo Maldof, mostrou que o que é um projeto aparentemente de reforma agrária pode não passar de simples colonização e que : “O que ocorreu até hoje na Amazônia não foi reforma agrária” (Jornal do Brasil 14/03/98). É importante observar neste episódio, isolado ou não, que o Incra, sob a máscara de cumprir seu papel social, está de fato defendendo interesses de madeireiras do Brasil e da Ásia que operam na área. Utiliza-se, assim, uma bandeira de luta da esquerda para legitimar empreendimentos de perfil capitalista.

O Incra, dessa forma, amplia os índices das estatísticas de áreas destinadas à reforma agrária e imputa aos ocupantes da terra a responsabilidade pelo desmatamento. Todos sabem que os recursos destinados à manutenção do assentado nos primeiros anos do trabalho da pré-safra são exíguos, e que a venda de madeira talvez seja a única forma de se obter recursos, por menos que sejam, para a sobrevivência do lavrador. Este aspecto deve ser considerado, até porque os discursos dos governos baseiam-se em estatísticas, interpretadas de forma tendenciosa, e veiculadas pela mídia com os recursos dos impostos cobrados compulsoriamente da sociedade.

Outro indício das tentativas do sistema em confundir ações éticas com a prática capitalista é a negociação que vem acontecendo no Estado do Espírito Santo (Jornal do Brasil 04/04/98 ). Nessa região, os índios tupiniquins e guaranis foram pressionados a abandonar uma parte da reserva, demarcada por eles mesmos, à revelia do Estado, e a negociar com a Companhia Aracruz Celulose por intermédio da FUNAI. Em troca, os índios receberiam pela cessão de 20 anos – período de utilização da área pela empresa – o valor de 11,4 milhões para investir em projetos comunitários. É no mínimo ridícula essa situação, os “projetos comunitários” são parte da cultura dos ameríndios muito antes do dinheiro ter algum sentido ou valor em Pindorama. A tentativa de tornar ética a iniqüidade do capital atinge “como fenômeno” o seu estado de caricatura, tentando emprestar à iniciativa privada um papel social que ela só possui em retórica.

Mas os episódios narrados acima mostram a urgência de uma verdadeira revolução agrária, radical e independente das mediações reformistas. As ações diretas das ocupações, como vimos, podem ser seguidas de acomodação reformista e a revolução acaba cedendo lugar à “razão” institucional. O que nos mostra mais uma vez a incompatibilidade entre o capital e o trabalho: a acomodação é filha da instituição.

E parece, para além da miopia intelectual, que os “companheiros” do PT, estão mais preocupados em denunciar os desajustes do sistema do que propriamente em resolvê-los. A esquerda institucional prefere envidar esforços em aperfeiçoar e humanizar o capitalismo do que arriscar as estratégias parlamentares para destruí-lo.

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ANARQUISMO: UMA LUTA CONTRA A FILOSOFIA OCIDENTAL

Os livros que compõem a obra A República, os quais fazem parte dos Diálogos Platônicos, entraram na história como um marco do pensamento político. Nesta obra, Platão através de seu personagem Sócrates, descreve como seria sua cidade perfeita.
A forma de governo pregada por Platão é uma república - sistema onde a riqueza do Estado pertence ao povo - aristocrática, onde os governantes seriam os filósofos.

Após a construção de sua cidade ideal e de seu sistema político, Platão descreve quatro constituições imperfeitas: a espartana, a oligárquica, a democrática e a tirânica.

Através do método dialético mecânico, o autor descreve como do regime espartano surge o oligárquico; do oligárquico surge o democrático, e do democrático nasce a tirania. Esta última passagem merece destaque:

(...) - Quando o festim da cidade democrática e sedenta de liberdade é presidido por maus escanções e ela se embriaga mais do que convém com esse vinho forte, passa a castigar os seus governantes se não são totalmente frouxos e não lho proporcionam em abundância, chamando-os de malvados e oligárquicos.

- Com efeito, isso é muito comum.
- E aos que se submetem aos governantes, injuria como a escravos que oferecem o pescoço à canga e homens sem nenhum valor; o que lhe convém são governantes que se assemelham aos governados e governados que pareçam governantes; esses são as meninas de seus olhos, a quem honra e elogia em privado como em público. Ora, é possível que numa cidade assim a liberdade tenha quaisquer limites?
- Impossível.
- Pouco a pouco, meu amigo, a anarquia se infiltra nos domicílios privados e termina contagiando os próprios animais.
- Que queres dizer com isso?
- Que o pai se acostuma a igualar-se com os filhos e a temê-los, e os filhos a igualar-se com os pais e não lhes ter respeito nem temor algum, pois essa é a sua idéia da liberdade; e o meteco se iguala com o cidadão, e o cidadão com o meteco, e o forasteiro da mesmíssima forma.
- Sim, isso acontece - disse ele.
- E não são esses os únicos males - prosseguiu. - Há outros menores: o mestre teme e adula os seus discípulos, e os discípulos desprezam mestres e preceptores. Jovens e velhos, todos se equiparam; os rapazes rivalizam com seus maiores em palavras e ações; e estes condescendem com eles, mostrando-se cheios de bom humor e jocosidade, para imitá-los e não parecem casmurros e autoritários.
- Assim é, efetivamente.
- E tal excesso de liberdade chega ao cúmulo, meu amigo, quando os que foram comprados por dinheiro não são menos livres que seus compradores; não devemos esquecer tampouco a liberdade e igualdade dos dois sexos em relação um com o outro.
- Por que não dizer, segundo a expressão de Ésquilo, “o que nos vem agora à boca?” - perguntou.
- É o que estou fazendo, e devo acrescentar ainda: ninguém que não o tenha visto poderá acreditar quão mais livres são na cidade democrática os animais que se acham a serviço do homem, pois, como diz o refrão, as cadelas valem tanto quanto as suas donas, e os cavalos e asnos andam às soltas, como importantes personagens, empurrando pelos caminhos a quem não lhes cede o passo; e por toda parte se vê a mesma pletora de liberdade.
- A quem tu dizes! Mais de uma vez me ocorreu isso quando passeava pelo campo.
- E, em resultado de tudo que expusemos, vê como se tornam suscetíveis os cidadãos: irritam-se à menor imposição da autoridade e não a toleram. E terminam, como sabes, voltando ao mais completo desprezo pelas leis, escritas ou não, para não terem nada nem ninguém acima de si.
- Muito bem o sei.
- Tal é, meu amigo - disse eu - o belo e glorioso princípio de onde nasce a tirania. (...)

Platão nem considera a hipótese de gestão de uma cidade sem governo, o que é natural, afinal não existia em sua época nada parecido com uma concepção política anárquica, a qual só vai nascer no século XIX. Mas não deixa de ser relevante a conotação negativa dada à palavra “anarquia” (e a idéia de estar sem governo), sendo esta expressão usada para descrever o estágio caótico que chega a democracia, para desembocar em uma tirania.

Outra coisa interessante: a palavra “anarquia” vem do grego, então foi exatamente esta a palavra usada por Platão, o qual começou a estigmatizar nossa concepção política já no século 4 A.C.

Depois de Platão surgiram escolas filosóficas que trouxeram em seu bojo alguns traços libertários, como os Cínicos. Estes pouco deixaram escrito, marcaram sua filosofia pela coerência com suas vidas. Tinham desprezo pelo poder, amavam a liberdade, pregavam o desprendimento do luxo e do prazer, foi a escola mais contracultural da época. Podemos considerá-los como os anarco-punks daqueles tempos.

Depois dos Cínicos, vieram os Estóicos de Zenão. Mais teóricos, estes conseguiram colocar em crise o mito da superioridade da raça, bem como a instituição da escravidão. O homem é proclamado estruturalmente livre.

Mas tudo isso de pouco adiantou, as bases da filosofia ocidental já haviam sido lançadas através de uma das maiores expressões do pensamento helênico, o reacionário Platão.

Portanto, todos os que se propõem a lutar pelo anarquismo, têm que estar cientes que não estão apenas lutando contra os detentores do poder, mas contra um inconsciente coletivo, que se forma desde a Grécia antiga. Fazer o homem ocidental aceitar a idéia de uma organização social anárquica significa reverter um preconceito que se consolida há pelo menos 25 séculos. Por isso companheiros, não desanimemos por não alcançarmos resultados imediatos, nosso trabalho renderá frutos a longo prazo.

Fábio López (Rio de Janeiro/RJ)

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TUPAC AMARÚ VIVE E
CAVALGA DE NOVO, SEMPRE!

Parece que foi ontem e já faz um ano que aconteceu. Em mais este capítulo da novela dos 500 anos de Resistência, desta vez os oprimidos latino-americanos levaram a pior. Transmitido via satélite, ao vivo e a cores para os lugares mais longínquos da América Latina, o que se viu foram Pizarros futuristas combatendo os filhos do sol. Nos lares mais humildes de nossa gente, se chorava por filh@s do povo que tombaram de pé e, em silêncio, milhares de jovens se comprometiam com a luta e a libertação dos oprimidos neste pedaço do mundo.

O episódio começou, ao menos aos olhos do mundo, no dia 17 de dezembro de 1996. Na embaixada do Japão, em Lima, a nata do inimigo lá estava presente: embaixadores, executivos das transnacionais, tecnocratas do ditador Fujimori, militares das mais altas patentes (incluindo os de inteligência), poltícos profissíonais e socialites da elite peruana. Esperava-se até o próprio Fujimori, mas o fascínora mandou a mãe e o irmão para representá-lo. Enquanto os mais de 600 convidados se esbaldavam com coquetéis requintados e comidas sofisticadas, um comando tupacamarista invade o local, toma a embaixada e termina com a orgia burguesa.
O “Comando Edgar Sánchez” do Exército Popular Tupacamarista (EPT), braço armado da organização revolucionária Movimemo Revolucionário Tupac Amaru (MRTA), estava composto por uma vintena de companheir@s e vinha preparando esta ação há alguns meses. Lá dentro presentes, na ponta de lança do comando guerrilheiro, os três companheir@s que comandam a organização, incluindo seu então número 1, o operário químico Néstor Cerpa Cartolini, conhecido também como Comandante Evaristo (numa organização clandestina, é necessário algum grau de verticalidade por razões de segurança. Mesmo assim, estes comandantes foram eleitos para os postos).

Uma vez dentro, os holofotes da mídia mundial para lá se voltaram. Com todo este espaço tomado ao inimigo, vieram as reivindicações do MRTA. Simples e curtas: a libertação imediata dos mais de 400 tupacamaristas presos, alguns em jaulas para chimpanzés, como é o caso de um dos fundadores do MRTA, Víctor Polay; e também uma mudança nos rumos da política econômica de Fujimori, com mais distribuição de renda e contra o capital especulativo.

Quatro meses se passaram lá dentro, os reféns diminuíram para menos de 100 e o inimigo armou uma cilada. O re-presentante da Cruz Vermelha e o padre da Opus Dei, que entravam e saíam da embaixada como negociadores e mediadores, serviram de espiões para o SIN (Serviço de Inteligência Nacional) e a DINCOTE (Divisão Nacional de Combate ao Terrorismo) – respectivamente, o SNI e o DOI-CODI peruanos. Satélites ianques deram a localização dos guerrilheiros lá dentro e no dia 22 de abril de 1997, comandos da marinha, exército e polícia nacional peruanas pegaram de surpresa os companheir@s tupacamaristas. Final feliz para o neoliberalismo: guerrileiros mortos e reféns soltos, com poucas baixas do lado dos milicos. Fica a dúvida: - Por que o MRTA resolveu poupar a vida de exploradores e torturadores como os reféns?! Não cabe a ninguém que não estava lá dentro responder isso, mas o que se viu foram guerrilheiros que preferiram a morte a matar gente indefesa, por mais que estes “indefesos” fossem responsáveis pela fome de milhões de latino-americanos.

No dia seguinte e nos meses posteriores, o inimigo saiu alardeando que o MRTA havia acabado. E isso é mentira! O MRTA/EPT continua operando na Selva Central peruana, garantindo a resistência contra a ditadura de Fujimori e felizmente vencendo a maioria dos combates. A trajetória desta organização é belíssima e vale a pena destacar. Seu núcleo inicial surgiu quando 5.000 delegados de base, vindos de vários setores, puxaram uma greve geral contra a então ditadura militar, no ano de 1978. Passados seis anos, em 1984, o MRTA vai a público, fazendo propaganda armada nas favelas de Lima e liberando uma área enorme, na região pré-amazônica peruana. Este foi seu projeto mais ousado e vitorioso. Num espaço territorial onde viviam 500 mil pessoas, a mais de 1.000 quilômetros distantes da capital, se forjou na luta o Poder Popular da Frente San Martín. Aí, por alguns anos, assembléias locais compostas por delegados de base de todos os segmentos da classe, e a assembléia de toda a região, decidia os rumos da luta. O MRTA era apenas mais um voto das assembléias e funcionava como braço armado do Poder Popular. Isto é bem diferente do Sendero Luminoso, que simplesmente assassinava militantes de entidades de base que não fossem de sua linha. A lembrança é necessária porque o inimigo faz questão de confundir uma guerrilha autêntica e legítima como o MRTA, com um bando de dementes e cagüetas como o Sendero. Voltando à Frente San Martín, quando em setembro de 1992, Fujimorì deu seu autogolpe, o estado peruano avançou sobre as bases do Poder Popular. Modificou a característica econômica da região, porque além da ocupação militar, erradicou as plantações e transformou tudo em zona produtora de folha de coca. Como não havia mais condições de luta ali, o MRTA retirou-se e entrou com tudo na Selva Central, uma região mais próxima de Lima e com mais repercussão no país.

Para encerrar esta homenagem lembramos que o melhor é seguir lutando pelo socialismo e a liberdade onde quer que estejamos. Isto fica eternizado na figura de Néstor Cerpa Cartolini. Sindicalista nos anos 70, aprendeu na base o que é luta e organização. Seu nome de guerra, Evaristo, é uma homenagem a um companheiro operário químico que, baleado pela polícia, morreu nos seus braços, durante a desocupação da fábrica onde eles trabalhavam, a Cromotex, em 1978. Na sua querida presença está o melhor da esquerda revolucionária latino-americana, incluindo aí o anarquista González Prada, o Magón peruano.

Companheiro Néstor, teu exemplo derrota a opressão. Faz 500 anos que estamos lutando e se for preciso lutaremos outros 500 até conquistarmos o socialismo e a libertação dos oprimidos latino-americanos. Longa vida ao Comando Edgar Sánchez do MRTA!


Tupac Amaru vive e cavalga de novo, sempre!

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INVERTA A REVOLUÇÃO (?)

Ato ou efeito de revolucionar(-se), rebelião armada, conflagração, transformação radical e, por via de regra, violenta, de uma estrutura política, econômica e social, transformação radical dos conceitos artísticos, culturais ou científicos dominantes numa determinada época. Suas armas podem ser punhos, balas ou idéias, e sua violência não necessariamente sangrenta, uma vez que a palavra consciente quase sempre é mais violenta do que força bruta...

A revolução não se faz num dia, se faz a todo momento, no indivíduo e no coletivo, na cultura, na consciência e na sociedade. A rebelião pode ocorrer repentina, mas é fruto de um coletivo de pessoas que já fizeram sua revolução individual, e a transformação não pára por aí, segue para sempre...

Por isso é muita mesquinharia taxar golpes de estado de revoluções, portanto, após uma breve reflexão conclui-se que “revolução de 64” é tão inadmissível quanto muitas outras ditas “revoluções socialistas” na qual o ocorrido foi o intercâmbio de poderes, feitos por vanguardas sem trabalho de bases, invertendo a revolução. Exemplos existem na Rússia onde a insurreição popular foi transformada pelos bolcheviques em “ditadura de esquerda”, na China onde o “socialismo” conseguiu superar o capitalismo em exploração ou na Espanha onde o estalinista exército popular literalmente matou a revolução.

A “esquerda” partidária e hierarquizada é autora de grandes vergonhas pela história. E seus frutos são sindicatos-empresas atrelados ao estado e por isso limitados, dumpings sociais e mortes, muitas mortes...

Mas houve revoluções verdadeiras, a revolução mexicana ontem e hoje, a revolução haitiana, os vários palmares e canudos pelo mundo, levantes populares almejando um basta à exploração e um viva à liberdade que foram em seguida massacradas...

Foram levantes das massas e para as massas, sem peleguentas infiltrações, por isso foram sentidas, reais e espontâneas e o espontâneo é viver o dia, é viver livre, é trabalhar não por ganância ou obrigação mas por sustento e colaboração. É viver sem preconceitos, fronteiras ou bandeiras senão a da liberdade, individual e coletiva. É justa, ética e autogestionária, sem classes, exploradores e explorados...

Em nome das verdadeiras revoluções não podemos aceitar mais coisas como: nacionalismo, racismo, hierarquia, patrões, dogmas, regras, tortura, genocídio, fascismo, neoliberalismo ou ditadura do proletariado.

Nada mais que a espontaneidade pela liberdade!
Porque a revolução também se faz com letras...


Matias Maximiliano - P@RaToDoS
bloodstorm@geocities.com
Caixa Postal 9110 - CEP 22272-970 - Rio/RJ

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O COLETIVO JAMAIS ABOLIRÁ O INDIVÍDUO....

"Então, no princípio era o Caos; depois veio a Terra de largos flancos,
base segura oferecida para sempre a todos os seres vivos, e Eros,
o mais belo dentre os deuses imortais..."

Hesíodo, Teogonia

A ordem que o homem criou através das leis científicas e sociais baseia-se em modelos, que procuram aproximar-se da realidade. A distância que separa o mais perfeito destes modelos da realidade como a conhecemos é o que chamamos de Caos. Dentro de um sistema dinâmico aparentemente desorganizado, confuso, temos uma estrutura auto-organizada e auto-gerida que foge dos padrões lineares euclidianos que estamos habituados a lidar. Os cientistas, ao se deparem com o Caos, foram obrigados a utilizar novas maneiras de enxergar os problemas, em busca de uma solução, ou de uma resposta satisfatória.

Isto provocou o encontro de disciplinas que geralmente mantêm-se afastadas umas das outras, como a física, meterologia, matemática, biologia, economia – e o que antes era considerado independente tornou-se interdependente.

A hipótese Gaia, de James Lovelock, apresenta a Terra como um imenso ser vivo, e partindo do princípio da sensível dependência das condições iniciais (o efeito borboleta, que relaciona o bater de asas de uma borboleta no Brasil com um tufão em Nova Iorque, apesar de parecer exagero, é real) todo ato de qualquer homem na Terra está relacionado com o seu meio ambiente. Se pensarmos como os cientistas, ao analisarem uma estrutura fratal, ou seja, uma estrutura que se repete indefinidamente, tornando-se mais complexa, com novas ramificações, cada vez que aproximamos a lente do microscópio veremos que a estrutura da sociedade é um fractal.

Micropolítica, ou política do cotidiano, se preferir. Pode chamar também de ecologia social, pessoas organizadas de acordo com suas afinidades, trabalhando em cooperativas autogestinárias para satisfazer suas necessidades. A competividade, e o stress, a neurose, a angústia e as frustrações que lhe são inerentes, sendo passados para trás. O coletivo jamais abolirá o indivíduo, apenas o fortalece.

Amir Brito Cadôr (Santos/SP)

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