Isolamento Parlamentar

By Pierre Proudhon in "As Confissões de um revolucionário", 1849.

Ingressei na Assembléia Nacional com a timidez de uma criança e o entusiasmo de um principiante. Assíduo, desde às 9 horas da manhã, às reuniões de departamentos e comissões, eu só deixava a Assembléia ao anoitecer, exaurido de cansaço e desgosto.

Tão logo punha meus pés naquele Sinai parlamentar, afastava-me das massas; absorvido pelas tarefas legislativas, perdia inteiramente de vista os acontecimentos do momento.
Eu nada sabia, quer sobre a situação das oficinas nacionais e a política do governo, quer sobre as intrigas que surgiam no coração da Assembléia.

É preciso ter vivido naquela câmara de isolamento chamada Assembléia Nacional, para entender como, quase sempre, justamente os homens que mais completamente desconhecem a situação do país são aqueles que o representam...

A maior parte dos meus colegas de esquerda e extrema esquerda partilhavam da mesma perplexidade, da mesma ignorância dos acontecimentos do dia-a-dia. Só se falava nas Oficinas Nacionais com uma espécie de terror, pois temer o povo é um mal que aflige todos aqueles que estão do lado da autoridade, para os que os que estão no poder, o inimigo é o povo.